23.2.11

Isabel I de Inglaterra, pouco tempo depois de ascender ao trono, ordenou purgas de católicos por todo o Reino. Ao contrário da sua predecessora católica que o havia feito contra os protestantes, Isabel I não o fez por facciosismo, fê-lo por razões de estado. Após concluir o projecto do seu pai e libertar Londres da dependência de Roma, Isabel decidiu não casar e declarar-se a monarca virgem, dando aos Ingleses um novo santo, um santo contemporâneo e nacional.


Com o crescimento gradual da componente social dos vários aparelhos Estado um pouco por todo o mundo, os líderes são cada vez menos vistos como políticos – na acepção clássica do termo, L’État n’est pas moi

Ao longo de toda a História, os líderes eram vistos como o centro dos assuntos de Estado. Para eles fluíam as receitas fiscais e deles derivava a iniciativa para os projectos nacionais. Com a consolidação do estado ocidental, soberano e burocrático, os líderes perderam esta centralidade no processo político.


A dramática ascensão económica que a Europa e o ocidente sofreram no século XIX graças à sua posição na vanguarda das descobertas tecnológicas e da evolução produtiva possibilitou também que vários governos pela Europa fora pudessem dedicar recursos financeiros à saúde pública e à educação. Simultaneamente, desde a revolução industrial que tem havido uma vontade de profissionalizar as forças armadas de modo a permitir que a população nacional se possa dedicar exclusivamente ao processo produtivo.


Mas consequências houve que acabaram por se revelar contra-producentes. Uma vez que as populações passaram a deter cidadania e com esta, privilégios de nascimento e direito à integridade física (segurança individual e salvaguarda em relação à violência bélica), se é verdade que a classe média melhorou o standard das condições de vida, também é verdade que as burocracias estatais acabaram sobrecarregadas com despesas que nunca antes haviam tido de gerir. As guerras por seu lado, passaram a ser vistas como prerrogativas elitistas e pouco relacionadas com o bem-estar das populações. O Estado científico ocidental de índole liberal exige pouco dos seus cidadãos constituintes e oferece muito.


No processo político democrático dos dias de hoje, os partidos dividem-se entre aqueles que defendem os interesses da classe média alta e os que representam as classes baixas. O chamado ‘centro’ que todos os partidos disputam - numa tentativa de lograr uma maioria eleitoral - é constituído pela classe média-baixa, a mesma que há um século atrás estava na pobreza e que é hoje remediada.


Neste contexto, a dinâmica política favorece a centralização do Estado numa crescente tentativa de assegurar recursos fiscais que assegurem a manutenção do Estado-social, i.e. saúde e educação pois são estes os sectores que hoje absorvem a maior parte dos recursos do orçamento de Estado. Por conseguinte, decorre naturalmente que numa sociedade de Estado-providência, os líderes políticos sejam perspectivados como assistentes sociais. À direita e nos partidos que defendem os interesses da classe média alta, os líderes querem-se como gestores mas a conquista do centro – ou seja do voto da classe média-baixa – obriga ainda assim ao discurso da assistência social, dos ‘candidatos do povo’. Sobretudo em países como Portugal aonde a classe média baixa impera.


Mas este ónus da assistência social deturpa a função do ‘líder’ do ‘político’ clássico, daquele que tem por função velar pelos interesses de Estado; do Estadista.

Assim se explica o endividamento incontrolável das repúblicas europeias (comportamento de nouveau riche da parte de estados pouco abastados), assim se explica a política externa guiada por valores caridosos e em detrimento de interesses nacionais, assim se explica o delapidar dos orçamentos da defesa e dos serviços de informações, assim se explica as incompatíveis reformas e políticas de diferentes partidos, consoante os interesses que defendem.


O sistema democrático é sustentável em estados aonde a consciência cívica impede divisões de maior em questões de interesse nacional. Não são frequentes as revoluções na Escandinávia ou nos países anglófonos. O mesmo não se passa em Portugal aonde um século de república implica já três regimes diferentes e um quarto no horizonte.

Aonde está a nossa Isabel I? Aonde está o caminho próprio e nacional?

Parte do futuro debate constitucional terá que ser a viabilidade de importarmos regras democráticas inadaptáveis à nossa realidade social.

 

 

Um texto do convidado Miguel Nunes Silva, co-autor no Psicolaranja e formado em Relações Internacionais pelo ISCSP


 

LinkUma ideia de JSD Secção B, às 15:00  Opinar

Mensagem do Presidente

Bem-vindo ao blog da B. A Secção B sempre se distinguiu por uma forma de estar na Política, fazer Política, mas principalmente pensar Politica. Este espaço é disso representativo: um local de debate, troca de ideias e ideais. Participa, temos as portas abertas a todos os contributos! Abraço e até já! Guilherme Diaz-Bérrio
Queres saber mais? Procura-nos:
No Twitter através de http://twitter.com/JSDSeccaoB No Facebook em http://www.facebook.com/pages/JSD-Seccao-B/105330659538096?ref=mf Ou enviando-nos um e-mail a solicitar a inscrição na mailing list para seccaob.jsd@gmail.com
Notícias

Presidenciais

Acreditas em Portugal? Se acreditas no teu país e num bom Presidente, vota em algúem que tem competência, experiência de vida e que respeita os interesses do teu país. Dia 23 de Janeiro, VOTA Cavaco Silva
Órgãos da Secção
. MESA DO PLENÁRIO Presidente:
João Gomes da Silva
Vice-Presidente:
Inês Palma Ramalho
Secretário:
Ana Sofia Lamares
Suplentes:
Sara Castanho
Nuno Martins
José Carlos Pereira

. COMISSÃO POLÍTICA Presidente:
Guilherme Diaz-Bérrio
Vice-Presidentes:
João Prazeres de Matos
Joana Tenazinha
Michael Dean Fialho
Secretário-Geral:
Diogo Santos
Vogal:
Nuno Miller Bastos
Essi Leppänen da Silva
Ivan Roque Duarte
Leonor Vieira
Luís Miguel Frias Figueiredo e Oliveira
Maria Inês Bandeiras
João Lemos Esteves
Ricardo Soares
Suplentes:
Rita Fidalgo Fonseca
Miguel Botelho
Ana João Pissarra
Jorge Pinheiro
Isabel Domingues
Luís Santos
Raquel Vilão
Vasco Borges Moreira
Tiago Venâncio de Matos
Filipe Carvalho
Abel Silva
Inês Rocheta Cassiano
Ricardo Monteiro
Política de Verdade
Pesquisa no Blog
 
Think Tank
Onde estamos
Morada:
Campo Pequeno, 16-3º, Lx

E-mail: seccaob.jsd@gmail.com

Analytics