1.5.10

Prosseguindo com a maratona de reflexões produzidas ao sabor de uma cidade enregelada, embrulhada numa temperatura amena de dezenas de graus negativos, eis o segundo episódio, retirado dos baús do disco rígido:

 

"Um político deve ser medido de várias formas, e uma delas deve ser a forma como fala ao povo: a sua genuidade, a sua sinceridade. E que sinceridade podemos nós encontrar num discurso previamente estruturado por uma data de assessores, cujo único objectivo é apenas, agradar? Dificilmente encontramos alguma sinceridade por detrás daquelas palavras, tão só por esta razão: porque não é genuíno. Não se deve rejeitar a opinião de que um discurso bem estruturado é uma poderosa arma de convencimento junto do povo, quanto a uma medida ou a um rumo; mas o que se deve rejeitar é que esse mesmo discurso seja estruturado até certo ponto em que o seu único objectivo seja manipular os seus ouvintes num determinado sentido, retirando qualquer genuidade ao discurso. Porque, assim parece, deve ser colocada uma questão, que se pretende pertinente – onde se encontra mais sinceridade: num discurso previamente preparado ou num discurso de capela?

 

Por vezes, consegue-se assistir a um fenómeno que faz espécie, por ser estranho. Uma aversão às palavras, uma aversão à utilização sincera das palavras. Não se usa porque não é “politicamente correcto”. Politicamente correcto? Por respeito ou por medo de usar a verdadeira palavra, que verdadeiramente exprime o verdadeiro sentido do pensamento? Muitas das vezes, parece que é a segunda hipótese, tão só porque, mais tarde, esse mesmo político acaba por dizer o oposto do que tinha dito da primeira vez. E isto também se passa nos tais discursos estruturados ao milímetro: através da escolha premeditada de palavras, sujeita-se a que as verdadeiras palavras sejam postas de parte e outras, mais suaves e mais “politicamente correctas” sejam escolhidas, desvirtuando a sinceridade da mensagem que se pretende transmitir.

(...)

 

Por vezes, pensar torna-se um acto irreflectido e inesperado e falar ao mesmo tempo o que se pensa, ali no momento, o discurso torna-se automaticamente genuíno. A escolha das palavras é automática porque tem que ser feita no segundo; as palavras são sinceras porque são a expressão do pensamento do momento; a genuidade surge e fica porque o político tem que dizer aquilo que realmente pensa, não poupa nas palavras – naquelas que deve usar, como expressão perfeita do seu raciocínio. Um político que seja capaz de se expressar bem quando pressionado por microfones ou por uma plateia adversa, que seja capaz de impôr as suas ideias – as suas palavras, reveladoras unicamente do seu pensamento e daquilo que realmente pretende – então será um político genuíno e sincero.

(...)

 

porque é extremamente complicado conseguir vingar num país onde a sinceridade, assim parece, é mal vista ou mal encarada. Mas a grande maior parte das vezes, mal compreendida exactamente porque é mal explicada; exactamente porque não houve uma prévia preparação da melhor maneira de falar sobre ou, então, um estudo mínimo do tema. Mais, não só um estudo mínimo do tema para o que o político seja capaz de albergar as várias pontas soltas, como também deve ser capaz de destruir os argumentos do adversário. E essa destruição, que se quer positiva e construtiva, deve ter em conta aquilo que o nosso adversário na arena política defende.(...)

O que se pretende dizer é que um político, qualquer que ele seja, só é capaz de ganhar as batalhas políticas se for: sincero nas palavras que usa, como expressão genuína do seu pensamento; se se conhecer a si próprio, e esse conhecimento apenas poder advir da sua capacidade de pensamento próprio, de reflexão e estudo sobre os temas numa constante aprendizagem, e numa expressão sincera através de palavras; se conhecer o seu adversário, as suas propostas – virtudes e defeitos - , expondo os defeitos e as consequências dos mesmos.

 

No fundo, pensar pode por vezes ser um acto irreflectido que se exterioriza em palavras que o nosso sub-consciente, ou se se preferir, inconsciente escolhe no momento, aqueles segundos em que é interpelado e tem que pensar sobre o assunto, sobre aquilo que previamente já sabe. E a política, o discurso político, deve ser uma das maiores expressões de genuidade e de sinceridade do homem político. É absolutamente necessário conseguir recuperar a credibilidade da política, e isso deve ser feita através da adopção de um outro modelo de discurso. Não aquele planeado e escrito por uma data de assessores; mas sim aquele feito no momento, com sinceridade e sem medo de escolher as palavras certas. Escolha essa que não é feita por nós, mas sim de forma automática e inconsciente pelo nosso cérebro: ai está o porquê de ser tão genuíno, porque nós não o controlamos racionalmente. Porque ficamos sujeitos ao erro, e a sujeição ao erro é elemento indispensável da busca da sinceridade e da genuidade. Se se tem medo de errar, então recorre-se a discursos escritos por assessores, com todas aquelas lindas e espectaculares frases pomposas. Se não se tem medo de errar, sabendo-se de antemão que o erro faz parte das nossas vidas, então não se tem medo de ir para uma arena adversa e esgrimirmos os nossos melhores argumentos para convencermos aqueles espectadores que nos olham com desconfiança e desprezo"

 

Como sempre, correndo o risco de ser utópico ou politicamente incorrecto, mais uma reflexão nocturna para os estimados leitores...

LinkUma ideia de Pedro Miguel S.M. Rodrigues, às 01:14  Opinar

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