25.4.10

Correndo o risco de ser polémico, correndo o risco de dizer o que me vai na alma, hoje e a esta hora, escrevo ao sabor do vento, sem preocupação de palavras escolhidas, apenas e só escrevendo com o coração. Porque Portugal está preso a um conceito arcaicamente e exageradamente usado, o cujo dito "politicamente correcto", qual ditadura da maioria barulhenta da democracia. Dogmas que se arrastam, velhos raquéticos que se prolongam no poder ou perto da cadeira putrefacta do poder, que continuam a dominar comentários televisivos ou crónicas dos jornais; os seus inúmeros discípulos, quais sacerdotes exarcebados na defesa dos velhos ideais, piores que os originais porque seguem o criador cegamente e são incapazes de discernir o essencial do acessório. Um "politicamente incorrecto" que amordaça a livre expressão de ideias diferentes, de novas soluções porque, mascaradas sobre a defesa de bons ideais próprios, esses criadores e esses discípulos acabam unica e somente de exarcebar os seus próprios medos, qual receio de uma classe inteira de perder direitos, aquela expressão malfadada de "direitos adquiridos" que tanto nos empurra para o precípicio. E, ao mesmo tempo, esses mesmos mestres mais os seus discípulos insuportáveis, cerram as suas fileiras de fiéis soldados, também eles, sofredores de uma cegueira atroz, cerram os pequenos focos de resistência que tenta brandir a luz que o país precisa, tentando lutar contra a escuridão que esse exército imenso de mestres, discípulos e soldados arrasta por tudo onde passa e fala e escreve e comenta. E lá se vão as regras do português escrito, novamente o "politicamente incorrecto", que enxovalha e critica e destrói e reconstrói e molda e desvirtua e apropria-se e tudo numa espiral contínua de uma prisão perene que parece nunca mais acabar.

 

Um discurso permanente, um "manso é a tua tia, pa!", um "esta solução quer é destruir o SNS, a escola pública, a função pública, o café onde eu vou todos os dias para o meu cafezinho, o restaurante onde combino tácticas políticas mesquinhas para controlar até o animal que foge debaixo da secretária e a aquela decisão muito gira que me paga viagens avulsas porque adoro visitar outras cidades porque é uma actividade super interessante e fofa". Ah, raios partam isto tudo! Farta, enfada, revolta, deprime, enoja, envergonha voltar de Erasmus e revisitar um país onde soluções boas e interessantes são destruídas com sete ventos, sete canhões, sete cruzadores, sete pistolas, sete palavrões, sete argumentos escritos, rescritos, rabuscados e ainda mais rabuscados, sempre e sempre e sempre revolvendo a velha arca da vacas sagradas, de artigos da CRP transformadas em frase do preâmbulo pois nós caminhamos alegremente e despuradamente e insensatamente para o socialismo e para a bancarrota e para o desastre naconal. Qual Função Pública, com os seus vínculos perpétuos e privilégios de classe, exarcebando por aumentos salariais, tratando-me por estúpido e por todo o país de estúpido; quais investimentos públicos megalómanos, sintoma de esquizofrenia política e económica, que nos conduz ao desastre; qual segurança social, que tamanho desafio encontrar as sete diferenças entre o esquema de pirâmida da providência e a pirâmide da D.Branca; qual política energética, subsidiada como se subsidia a ida ali ao quiosque do lado porque é lá que dá jeito comprar o raio do jornal que diz umas coisas engraçadas, completamente rasca(não era eu pertença da geração rasca? se calhar, devo perguntar aos senhores iluminados que tornaram a educação portuguesa na tragédia que é) e que apenas contribui para a nossa espiral de tristeza permanente; qual sei lá ja o quê, porque a minha mente farta-se de carpir as mágoas deste Portugal plantado à beira-mar.

 

A CRP diz que somos obrigados a ter dinheiro, ora bolas, e agora? Então se a CRP nos obriga a ter dinheiro e também obriga a que a Lua seja verde, o mar vermelho e já agora, também, o espaço ser branco e a força negra em vez de expandir o universo, faz com que ele diminua, o que pode acontecer se a certa altura, a torneira dos empréstimos fechar? Ah pois, mas se não há dinheiro, como se paga salários e pensões? Boa, e agora? Se baixar salários da função pública é inconstitucional, então como é que, hummm, posso sair da bancarrota? Pois, lá está, a CRP diz que não se pode baixar salários, olha, pronto, também somos obrigados a ir à falência. Está certo, faz sentido, tudo faz sentido, especialmente quando a esquizofrenia disto tudo já chegou a este ponto. Grita-se pela reforma da função pública!! Grita-se por investimentos mais sensatos e economicamente rentáveis que me vá, pronto, vou ser politicamente correcto, não me tramar o futuro(apetecia-me dizer bem pior...)!! Grita-se pela tendencial privatização da segurança social!! Grita-se pela energia nuclear!! Grita-se pelo regresso a um modelo educativo de meritocracia e verdadeira autoridade do professor!! Grita-se? Não se grita, fala-se, tenta-se falar, porque o exército de mestres, discípulos e soldados está sempre pronto a abafar, à mínima tentativa e ao mínimo suspiro e ao mínimo ruído e ao mínimo passo, qualquer ajuda, qualquer solução diferente porque isso iria acabar com os privilégios que existem, e depois isso seria tudo muito feio porque não seria "politicamente correcto". Porque o "politicamente correcto" é abanar com a cabeça em jeito de um sim tímido, porque o "politicamente correcto" é não propôr soluções muito chatas que depois vão chatear os meninos grandes do recreio só porque eles podem-me dar um lugar muito jeitoso ali no sítio que tem a tabuleta a dizer "Poder", porque o "politicamente correcto" me diz, com um ar de gravidade, que devo seguir o sistema, porque não o seguir é um grande defeito e fonte de grandes pecados. Pois...

 

Ah, arre para isto tudo! Às vezes pergunto-me porque voltei, porque não fiquei lá fora, fora disto tudo. Apetece-me um Montecristo, são quase 04h e ainda ando nesta luta mental. Acho que já não sei o que escrevi, apenas sei que fui escrevendo sem pensar, sem reflectir, apenas deixando o coração falar. Porque, por vezes, é preciso fazê-lo para quebrar o status-quo de indiferença, estagnação e despudor a que chegou este país. Ser politicamente incorrecto é estar vivo neste país e mais não sei, quem me dera estar errado, quem me dera ser dia 25 de Abril de 2010 e simplesmente não ter a vontade de dizer: o 25 de Abril falhou.

LinkUma ideia de Pedro Miguel S.M. Rodrigues, às 03:58  Opinar

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