14.3.10

 

Depois de um congresso algo frustrado, é fantástico como se aprova a Lei da Rolha. Afinal, a asfixia é uma doença só dos outros.

 

E eu que sempre tive orgulho de pertencer a um partido de liberdade, de debate, de múltiplas opiniões e tolerância, acordei num pesadelo comunista. As purgas, a censura...qualquer dia até se apagam pessoas via Photoshop...

 

E viva o Ramadão político!

 


LinkUma ideia de Essi Silva
Editado por Guilherme Diaz-Bérrio em 15/03/2010 às 09:59, às 21:04  Opinar

De Guilherme Diaz-Bérrio a 15 de Março de 2010 às 08:18
Esta pequena alteração aos estatutos é vergonhosa:
União não se faz à lei da bala.

E da última vez que reparei, eu não me tinha filiado no PCP, na Soeiro Pereira Gomes, mas sim no PSD, em S. Caetano à lapa.

Obviamente que agora o PS está entretido a apontar o óbvio: "não eram vocês que falavam em asfixia democrática?"

De Diogo Agostinho a 15 de Março de 2010 às 09:53
Cara Essi,

Acho abusivo essa interpretação, como militantes temos deveres e direitos. A medida que foi aprovada é um estímulo à união de um Partido que dá uma péssima imagem e tiros nos pés.

Todos têm liberdade para tudo. Mas há momentos e momentos.

De Guilherme Diaz-Bérrio a 15 de Março de 2010 às 09:54
União à lei da bala?
Não Obrigado!

De Essi Silva a 15 de Março de 2010 às 11:42
Diogo, não te toldes por Santanismos. As más acções ficam para quem as pratica. Os militantes devem poder opinar sempre que necessário. As coisas nem sempre são um mar de rosas. Agora, para um partido que sempre se considerou democrático, permitindo a multiplicidade de opiniões e que ainda por cima apregoou críticas à limitação da liberdade de expressão feita noutros partidos e num contexto governativo, não faz sentido impor o silêncio com uma norma estatutária.
As pessoas devem ter o direito e a liberdade de dizer o que pensam. A forma como o fazem é que deve ser analisada por aqueles que os ouvem.

De Gonçalo Birg a 15 de Março de 2010 às 11:04
A aprovação deste novo regime "estalinista" vem desfazer por completo um Congresso que se pretendia unificador do partido. Apesar de este novo estatuto ter sido aprovado por maioria qualificada, qualquer que seja o próximo presidente do partido já fez saber que é contra.
A ordem interna é necessária mas não é pela a aplicação de sanções que ela existirá. Um militante ao inscrever-se sabe, ou devia saber, em que termos o faz. O asfixiamento interno de opinião que mensagem transmite para um partido que se pretende democrata? para um partido que se quer adaptar ao séc. XXI? É um retrocesso histórico.
Por sorte são só 60 dias, senão com quantos militantes ficará o partido?

De Diogo Agostinho a 15 de Março de 2010 às 11:46
"Diogo, não te toldes por Santanismos"

Não considero esta uma boa justificação...

Eu comentei uma ideia que concordo, por estar cansado de vedetas que adoram ser os maiores, mas que trabalho pelo Partido foi zero! Cansado de ver sempre os mesmos a rebentar as ideias do Partido, para mim há momentos e momentos. Ponto.

De Essi Silva a 16 de Março de 2010 às 00:01
Diogo, explica-me exactamente o que vês de positivo nesta alteração de estatutos. Expulsar militantes por opinarem? É que esqueces-te que não são só os Passos Coelhos que por aí andam que criticam o partido. Será que eu ao dar a minha opinião não estarei a ir contra os estatutos? Será que por causa dos estatutos deverei ficar amordaçada, impedida de comentar e opinar só porque decidimos fazer o mesmo que os esquizofrénicos dos esquerdistas?

De Tiago Matos a 15 de Março de 2010 às 14:57
Isto é ridículo.
Partido Social DEMOCRÁTICO que de democrático começa a ter pouco.
Da última vez que verifiquei o meu cartão de militante ele ainda era cor de laranja e não vermelho.

É uma vergonha em dois sentidos.

Num porque tira a voz aos militantes quando os deveria ouvir. Há queixas sobre os líderes?! Façam um bom trabalho, coisa que não têm feito nos últimos tempos. E temos também de ver que haverá sempre, nem que seja só um, o velho do Restelo.

No outro sentido, é incrível como a suposta união necessária ao partido não se faz por iniciativa das pessoas mas sim com leis internas chocantes para muitos.

Isto ó visto que contado ninguém acredita

De Pedro Moreira a 15 de Março de 2010 às 15:59
Por um lado, é de facto tremenda uma regra que cale literalmente quem discorda com a ideologia do partido e isso perto dos momentos mais cruciais. É, ademais, uma regra irónica porque inserida num partido que está à procura de uma ideologia... Como discordar dela se nem está bem fixada?

Por outro lado, podemos dizer que ela é a consequência quase lógica das nossas acções: tivemos a oportunidade para nos expressarmos e usámos tanto desse direito que acabámos por desconstruir em vez de construir o nosso partido.

Talvez seria melhor, por um lado, definir melhor as ideias do partido para evitarmos excessivas surpresas no futuro. Por outro, talvez deveríamos enquadrar melhor estas criticas e de forma mais organizada .

De Gonçalo Birg a 15 de Março de 2010 às 23:47
Caro Pedro,

Vamos por partes. Não considero que o uso excessivo do direito de opinião seja causa da aprovação do novo estatuto. Eu tenho sérias dúvidas se os votantes "a favor" o fizeram por razonabilidade da proposta ou se por servirem os seus próprios grupos, isto é, futuros presidentes (não estes, pois como já antes comentado, são contra) terem um base já "pré cozinhada". O Partido Socialista Socialista tem o mesmo estatuto mas de uma forma silenciosa. Como? quem divergir leva "com um telemóvel"...
Contudo, o uso excessivo de opinião veio em época certa. A fragmentação interna demonstra a inoperância do partido - e do sistema partidário - em resolver os problemas do séc. XXI e da sociedade portuguesa em especial.
Efectivamente, a estrutura social de hoje requere medidas mais modernas e práticas, as pessoas estão saturadas de ouvir falar em políticos, deputados, etc... E, tal não se deve à apontada falta de cultura da sociedade portuguesa. O mundo de hoje é bem diferente do que há um século atrás. Não quer isto dizer que não deva haver ideologia, uma bússola, mas sim algo diferente. O século XX ou XIX não vão vigorar no século XXI com o que de revolucinário trouxeram. Penso que a política deste século vai ser algo de revolucionário nos próximos 50, 60 anos...
Deste modo, concordo quando falas em "definir melhor as ideias do partido", pois, penso que referes-te a um "think tank". O PSD necessita inconturnavelmente de encontrar um rumo mesmo que não seja o mais correcto internamente, mas que pelo menos permita tirar o país do regime socialista dos últimos anos.
Por outro lado, não entendo qual a lógica de enquadrar as criticas se elas já estão mais do que enquadradas...

De Essi Silva a 15 de Março de 2010 às 23:57
Gonçalo, percebo completamente o teu ponto. Quando falaste em think tank e na necessidade de implantar esta alteração estatutária lembrei-me de outra coisa na qual já tinha pensado. Esta revisão é uma tentativa, a meu ver frustrada e triste, de resolver um efeito secundário de uma doença pior - a falta de um projecto consistente, coerente, que o PSD defenda maioritariamente. É impressionante como o PSd muda de ideias à velocidade luz, na maior parte das vezes de acordo com o líder do partido.

Criticamos toda a gente porque ao fim ao cabo cada um defende o que quer. (ou quase)

De Francisco1004 a 15 de Março de 2010 às 23:52
Concordo com o birg... Pedro Moreira não vales nada ... XD

De Pedro Moreira a 17 de Março de 2010 às 14:39
Então Birg?
(não, eu não vou dizer "Gonçalo"...) x)

Eu acho que, numa época onde as pessoas acham que podem terem direitos sem deveres, é preciso termos noção de que quando um direito não aparece com um dever, acabamos a factura deste erro lógico. E aqui está ela.
Pensámos que podíamos nos exprimir a torto e a direito como se tudo isto era uma mera democracia directa, errámos. Agora é tempo de pagar.

Depois, é melhor não tomarmos o caso Português como uma generalidade: o nosso país saiu de uma ditadura há pouco, nunca fomos propriamente um país com uma grande cultura democrática, a educação aqui não está propriamente no top 3 Europeu... Portanto, uma "mudança na política" não vai provavelmente acontecer nos próximos 50 anos (apesar de, na verdade, poder haver uma mas não como tu pensas e não em Portugal. Já te falo disso).

Pelo menos, estamos de acordo num ponto: Think-Thanks. O mundo muda a cada hora e as ideias com ele. O PSD está bloqueado em 74 e precisa de um rumo mais liberal-conservador para prosseguir. Grupos de intelectuais, sejam eles médicos, politólogos ou juristas, deveriam produzir ideias para o partido de forma a que ele não perca o rumo.

Com Passos Coelho, por acaso, é o contrário que fazemos: damos ideias de curto prazo e muito voláteis para um partido que já satura desta atitude de curto prazo e extremamente negativa.

Passar de Liberal a Keynesiano num estalar de dedos? Por favor...

De Gonçalo Birg a 18 de Março de 2010 às 12:03
Meu caro politólogo,

Partidos até quando?
Uma visão histórica

Todo o debate político é profícuo quando coerente. Assustam-me pensamentos redundantes.

Em toda a Humanidade houve pessoas que quando inseridas numa pólis , apenas preconizam a sua esfera pessoal. Contudo, quando dizes “(...) numa época (...)”, a razão de não haver a concepção direito-dever recua um pouco mais atrás no tempo. A criação do Estado (social de Direito) foi e é causa do fomento da promoção individual. No entanto, apenas neste aspecto, pois, continua a ser o Estado que se encontra no centro de toda a problemática política, porque continua a ser a sua autoridade que se exerce directamente sobre as pessoas e porque continua a revelar-se indispensável para a garantia das liberdades.

Hoje existe um profundo desencontro entre os partidos políticos e o Estado. Aqueles que deviam trabalhar para aquele de acordo com a ideologia eleita para o governo, estão desprovidos de base para o fazer em virtude da chamada crise do Estado-providência . "Esta deriva de causas financeiras (os custos insuportáveis de custos cada vez mais extensos para populações activas cada vez menos vastas), de causas administrativas (o peso de uma burocracia, não raro acompanhada de corrupção) e de causas comerciais (a quebra de competitividade, numa economia globalizante)". As pessoas defrontam-se hoje com aquilo que se vem denominando sociedade de risco. O Estado tornou-se o principal garante da confiança em massa de que necessitava a sociedade moderna. Mas a dimensão, sem precedentes, do risco e do perigo, desgastou a credibilidade dessa confiança.

O facto do PSD estar parado desde 1974 (ou desde Cavaco Silva) vai ao encontro de tudo isto. A sociedade mundial, especialmente a europeia, evoluiu muito em apenas um século. O facto de Portugal ter saído de um “projecto totalizante ” apenas à 36 anos apenas reforça o que acabo de dizer. Mais, não é o tempo que faz um país democrata, pois, a Alemanha à menos de 20 vivia dividida. A falta de cultura democrática também não é condição para poder haver uma mudança política, quando ela não existe, bem pelo contrário. E, quando falei em Portugal não falei como generalidade, apenas como português. Esta situação verifica-se um pouco por todo o mundo. Sem olhar com razão ou não para tal, a manifestação dos Professores entre muitas outras, é um exemplo claro de mutações sociais. A aderência presenciada não resultou do papel concertante dos sindicatos mas sim do marasmo político existente e da não identificação partidária. Sem ter em consideração o regime socialista dos últimos 5 anos, o facto de uma pessoa mostrar publicamente (com um cartão) que é militante do PS, ou porventura de qualquer outro partido se estivesse no poder, e não concordar com a sua estrutura é sinal mais do que evidente desta transformação social.

A carruagem histórica da democracia representativa de partidos está a chegar ao fim ou vai chegar mais cedo do que se pensa. Não vaticino tempo certo pois não sou dotado para tal. Contudo, vejo-a resistir em termos supranacionais, visto que, é em medidas largas que as ideologias ainda fazem sentido. Veja-se o Parlamento Europeu. A nível local, os gregos muito nos ensinaram, a regionalização seria uma solução bem plausível.

Por fim, como tudo tem que ter um ponto de ligação, e usando as palavras de Essi , a Lei da Rolha é um exemplo pequeno e triste de resolver a falta de um projecto consistente e coerente.

Infelizmente Portugal vive numa "choldra ignóbil"... Mas podia não ter sido assim, nem precisa de o ser...

De Pedro Moreira a 18 de Março de 2010 às 16:30
Meu caro Jurista,
fizeste ai um texto grande e em qualidade xD
De todas as formas, se os meus argumentos são redundantes (e não digo o contrario mas, repara, quem sou eu para julgar dessa forma os textos dos outros?) imagino que não vais ter dificuldade nenhuma em literalmente destrui-los. Vamos lá ver isso.

Para mim, quando inseridos no contexto de um Estado de Direito como o nosso (e não de uma Polis ou que seja), conseguimos obter direitos sem no entanto aplicar certos deveres ligados a este, há aqui um problema grave que emerge e que acaba por levar um dia ou outro a problemas muito graves. No caso do PSD, tivemos direito à liberdade de expressão no partido (outros nem têm). O nosso dever era de usa lá de forma construtiva . Não foi o caso, eis o feedback.

Repara que os problemas que relevas, e com imensa razão, tais como burocracia, corrupção, quebra na competitividade... Estranhamente encontram uma solução e isso sem termos de mudar de cima para baixo todo o nosso sistema. Muitos especialistas, economistas já apontam há muito tempo que o nosso sistema está demasiado à esquerda e o liberalismo poderia ser, tanto para o PSD que para o nosso país, uma excelente resposta: responsabilização das populações, competitividade, menor burocratização, redução do Estado e, portanto, dos lobbies, interesses, negócios sujos ligados a este...

Com efeito, não vamos mudar todo o sistema para problemas que podemos resolver dentro deste. Ademais, hesito em perguntar te: que alternativa? Há sempre a Chinesa, que está a fazer maravilhas em muitos aspectos, mas... Não.

Nós, portugueses, vivemos há décadas num Estado excessivamente paternalista. É tempo de começarmos a responsabilizar-nos mais e apanhar uma maior cultura democrática que sim, o tempo pode trazer. Mas para isso, temos que dar a possibilidade às pessoas de poderem responsabilizar-se ou, de facto, o Estado estará sempre ai para tratar de nós... E ele estará sempre ai para podermos dizer "é a culpa do Estado".

"A carruagem histórica da democracia representativa de partidos está a chegar ao fim"
Repara que foi dito isso na Alemanha, em Portugal, na Itália . nos anos 20 e 30. Há sempre apocalipses mas a democracia continua e não é por pouco tempo. Ao mesmo tempo, as alternativas são poucas (e tremendas).

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